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Viver na Coreia, descomplicado

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Obrigatoriedade do pagamento eletrônico em obras privadas, por que isso só chega agora?

É uma explicação para entender de uma vez por que esse projeto de lei surgiu, o que ele quer mudar na prática, a estrutura de pagamentos da construção civil e até os motivos do atraso na legislação.

Updated Aug 20, 2026

A Comissão de Terras, Infraestrutura e Transporte da Assembleia Nacional aprovou um projeto de lei que torna obrigatório o sistema eletrônico de pagamento de valores também em obras privadas. Até agora, esse sistema era aplicado principalmente a obras encomendadas por órgãos públicos. Desta vez, a proposta amplia esse alcance para obras privadas. O projeto também inclui a possibilidade de aplicar o sistema a obras encomendadas por empresas nas quais órgãos públicos tenham participação superior a 50%. A intenção é não deixar fora do sistema os canteiros que ficam na fronteira entre o público e o privado. Os trabalhadores da construção vêm pedindo esse sistema há mais de 10 anos. Isso porque entendem que, para mudar a estrutura em que atrasos salariais e atrasos de pagamento se repetem, é preciso conseguir rastrear eletronicamente para onde o dinheiro realmente vai. Agora, o projeto só falta passar pelo processo de aprovação em plenário.

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Essencial

O que significa dizer que passou pela Comissão de Terras e Transportes da Assembleia Nacional?

O ponto principal desta notícia é bem simples. A ideia é não deixar a forma como o dinheiro desce no canteiro de obras nas mãos do papel e dos costumes, mas rastrear isso dentro de um sistema eletrônico. Até agora, era um mecanismo usado principalmente em obras públicas, e agora querem ampliar isso também para obras privadas.

O sistema eletrônico de pagamento de valores tem um nome difícil, mas falando de forma simples, ele é parecido com um cofre online que administra o custo da obra separado por finalidade. Os custos de mão de obra (salários dos trabalhadores), pagamentos de subcontratação, custo de materiais e custo de equipamentos são registrados separadamente, e fica tudo gravado: quem cobrou quanto e para quem o pagamento realmente foi feito. Entendendo isso, fica mais fácil perceber por que o movimento trabalhista diz que 'o atraso de pagamento não é um problema individual, mas estrutural'.

A aprovação na comissão ainda não é a aprovação final, mas tem grande importância. Até agora havia a barreira de que 'sabemos que é necessário, mas tornar obrigatório também no setor privado é pesado'. Por isso, dá para ler isso como um sinal de que a discussão no parlamento passou da fase de consenso para a fase de institucionalização.

ℹ️Uma coisa para entender primeiro nesta notícia

A questão não é simplesmente usar mais um sistema. O principal é saber se o próprio fluxo do dinheiro vai mudar para que os salários não se percam nas etapas intermediárias.

Comparação

Qual é a diferença entre o modo de pagamento atual e o sistema de pagamento eletrônico?

Mesmo sendo o mesmo valor da obra, o risco de atraso de pagamento muda muito dependendo do caminho por onde o dinheiro passa.

Item de comparaçãoModo atual
Movimentação do dinheiroSai da empreiteira principal para a subempreiteira e para novas subcontratações, ficando fácil misturar tudo na gestão
Sistema de pagamento eletrônico
Custos de mão de obra, materiais e equipamentos são registrados separadamente e geridos por item
Confirmação do contratanteÉ difícil ver em tempo real a situação real do pagamento na etapa final
Risco de desvio no meioHá muita margem para redirecionar para custos operacionais ou outros custos do local
Possibilidade de pagamento diretoEm princípio, como o pagamento é feito por etapas, é fácil ele ficar travado no meio
Resposta a salários atrasadosMuitas vezes há disputa depois que o problema acontece
Contexto

Como os salários atrasados na construção viraram um problema estrutural

Para entender este sistema, primeiro precisamos ver como o fluxo de dinheiro na construção da Coreia se consolidou.

1

Etapa 1: no período de alto crescimento, a estrutura de subcontratação para obras rápidas se firmou

De 1960 a 1980, com o grande desenvolvimento do território e a oferta de moradias, virou quase padrão o modelo em que grandes construtoras ganhavam os contratos e a obra real era dividida entre empresas especializadas e subcontratadas. A divisão de trabalho em si era eficiente, mas a responsabilidade e os custos também começaram a descer para baixo.

2

Etapa 2: com o aumento do trabalho diário e da contratação indireta, a responsabilidade pelo salário ficou menos clara

Desde o fim dos anos 1990, no setor da construção, ficou mais forte a tendência de aumentar trabalhadores diários por obra e contratação indireta. Ficou mais complicado saber quem era o empregador direto e quem devia pagar quanto e quando, então a responsabilidade pelo pagamento dos salários ficou menos visível.

3

Etapa 3: começou-se a ver o atraso salarial não como desvio individual, mas como problema estrutural

Desde meados dos anos 2000, cresceu a crítica de que, mais do que 'problema de alguns patrões ruins', havia uma estrutura repetida em que o pagamento da obra atrasava e diminuía ao passar por várias etapas. Esse é o contexto em que sindicatos e assembleias locais pediram alternativas como pagamento direto e regulamentos de prevenção de atraso salarial.

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Etapa 4: primeiro no setor público, foram introduzidos pagamento direto e pagamento eletrônico

Perto de 2020, o governo reorganizou o sistema para tornar obrigatório o sistema de pagamento direto de salários nas obras públicas. Ou seja, a política mudou para tentar prevenir por meio da reforma da estrutura de pagamento em vez de apenas punir depois do atraso.

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Etapa 5: mas o setor privado ainda continua como uma grande área cega

O problema era que a grande maioria absoluta das obras de construção era privada. Nos canteiros públicos surgiram mecanismos, mas nos privados o jeito antigo continuou, então o movimento trabalhista viu isso como 'proteção pela metade'.

Números

Por que a participação da construção no total de salários atrasados é sempre mencionada

Esta é a participação do setor da construção no total de salários atrasados no fim de 2024. Em valor absoluto, foi cerca de 478B KRW, e o total de salários atrasados foi 2.0448T KRW.

Valor de salários atrasados na construção (23%)
Outros setores (77%)
Alerta

Por que a fronteira entre o setor público e o privado é tão complicada na Coreia

O motivo de o projeto de lei incluir separadamente a 'empresa com investimento acima de 50%' é que, no sistema da Coreia, o caráter público nem sempre se divide de forma simples em uma só linha.

Parte que faz a contrataçãoForma jurídica
Estado·governos locaisContratante público típico
Por que precisa de regra separada
As regras públicas são aplicadas de forma relativamente direta
Empresa financiada·apoiada pelo governoTem função pública, mas possui personalidade jurídica separada
Empresa com reinvestimento de 50% ou maisSubsidiária ou empresa relacionada em que a instituição pública tem muita participação
Contratante privado puroBaseado principalmente em relação de contrato privado
Legislação

Faz tempo que dizem que isso é necessário, mas por que a expansão para o setor privado atrasou mais de 10 anos?

Esse ponto é importante. Não foi por falta de necessidade, mas porque houve conflito de interesses por muito tempo sobre até onde ampliar o alcance da regra.

1

2017: a solução apareceu, mas começou pelo setor público

O governo já tinha apresentado, por volta de 2017, uma direção para reforçar o pagamento eletrônico e o pagamento direto nas obras públicas. Mas achou que haveria muita resistência se aplicasse isso a todo o setor privado logo de início, então escolheu uma etapa centrada no setor público.

2

2017~2023: funcionamento no setor público, vazio no setor privado

Nos canteiros públicos, sistemas como o Hado-geup Jikimi começaram a se firmar, mas no setor privado isso não era obrigatório. Por isso, a diferença entre locais com proteção contra atraso de pagamento e locais sem essa proteção continuou existindo.

3

2024: houve muita discussão na Assembleia, mas a oposição do setor também ficou mais concreta

Vários projetos para ampliar ao setor privado foram apresentados, mas ficaram parados por muito tempo. Segundo as reportagens da época, em 2024 havia 7 propostas de emenda relacionadas na Assembleia Nacional, e o setor dizia ser contra por causa da taxa do sistema, do custo administrativo, do peso para pequenos contratantes e do risco de o histórico de pagamentos ser usado de forma indevida como material para pressionar os preços.

4

2025: a necessidade de ampliar ao setor privado voltou a ser levantada com números

Os projetos explicavam que o valor dos salários atrasados na construção ocupa grande parte do total de salários em atraso, e que proteger só o setor público não reduz as áreas sem cobertura. Ou seja, a ideia de ir além da etapa centrada no setor público e ampliar também ao setor privado começou a ganhar força de novo.

5

2026: com a aprovação na comissão de território e transporte, a discussão começou a passar de verdade pela porta da institucionalização

Essa aprovação na comissão de território e transporte é uma cena simbólica. Isso porque uma demanda repetida por mais de 10 anos deixou de ser só uma campanha e entrou na fase de virar texto concreto de lei.

Impacto

Se o projeto de lei for aprovado, quem vai mudar mais?

Na vida do dia a dia, os trabalhadores devem sentir a mudança mais rápido, e é bem possível que a carga de operar o sistema pese mais para o contratante e para a empresa principal.

GrupoO que ganha
Trabalhadores da construçãoMenor risco de salário atrasado, confirmação do registro de pagamento, mais base para defender seus direitos
O que vai precisar assumir agora
Só ter um sistema não significa que o atraso salarial vai virar 0, então ainda vai ser preciso continuar fiscalizando a operação real
Empresas subcontratadasMais estabilidade para receber pagamentos, menos impacto de atrasos da empresa principal
Empresa principalMenos disputas por atrasos em cadeia, melhor previsibilidade da estrutura de pagamento
ContratanteEntender com mais precisão o fluxo de dinheiro no local da obra, reforço da responsabilidade de prevenir atrasos de pagamento
Significado

Então, como devemos entender essa notícia?

Se você ler essa notícia só como 'vai surgir mais um sistema na construção civil', vai acabar perdendo o ponto principal. O mais importante é que a construção civil da Coreia está tentando redesenhar por lei a estrutura de pagamento em várias etapas, que por muito tempo foi vista como algo normal. Ou seja, está mudando de um modelo que socorre depois que o atraso acontece para um modelo que dificulta que o atraso aconteça desde o começo.

Se você entender até aqui, daqui para frente não vai olhar só se vai passar na sessão plenária, mas também até onde o alcance da aplicação vai se ampliar, se até obras privadas de pequeno porte vão mesmo conseguir acompanhar, e quem vai pagar as taxas e a carga administrativa. Essas questões precisam ser resolvidas para que o sistema não fique só no papel, mas vire uma regra real no local da obra.

No fim, esse projeto de lei também mostra como a legislação de proteção ao trabalhador se move na Coreia. Primeiro se testa no setor público e, quando se confirma uma área sem proteção, amplia-se para o setor privado. Por isso, o mais certo é ler essa notícia não só como uma notícia de aprovação de projeto de lei, mas como uma cena de um processo longo para tornar transparente o fluxo de dinheiro nos canteiros de obra.

💡Pontos para conferir na próxima notícia

Se vai passar na sessão plenária

Até que porte das obras privadas vai virar obrigatório

Quem vai pagar as taxas do sistema e os custos administrativos

Vamos te mostrar como viver na Coreia

Por favor, deem muito carinho ao gltr life

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