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Viver na Coreia, descomplicado

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Por que um canadense atravessa a Coreia a pé até o fim, e o que foi a Batalha de Gapyeong

Este artigo explica por que a Batalha de Gapyeong ainda é uma memória viva no Canadá e na Comunidade Britânica, mostrando também o andamento real da batalha e a cultura de homenagem.

Updated Apr 21, 2026

O canadense Guy Black vai atravessar a Coreia a pé para homenagear a Batalha de Gapyeong. Ele planeja caminhar cerca de 355km, saindo de Gapyeong até o Cemitério Memorial da ONU em Busan. Ele também vai participar da cerimônia em homenagem aos veteranos dos 4 países da Comunidade Britânica que lutaram na Guerra da Coreia. Guy Black disse que este é seu terceiro projeto de homenagem a Gapyeong. Em 2021, ele caminhou cerca de 300km de Tofino, na Colúmbia Britânica, Canadá, até a Pedra Memorial de Gapyeong em Langley. Em 2023, ele também fez uma caminhada memorial de cerca de 300km, ligando o Canadá e a Coreia. A Batalha de Gapyeong aconteceu durante três dias, de 23 de abril de 1951. Na época, a 27ª Brigada da Comunidade Britânica conseguiu barrar forças chinesas mais numerosas na região do rio Gapyeongcheon. Essa batalha ainda é lembrada como uma parte importante da história militar no Canadá e na Austrália.

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Introdução

Quando um canadense caminha pela Coreia, não é só participar de um evento de homenagem

Se olhar só a manchete, pode parecer apenas 'um estrangeiro participando de uma caminhada com significado'. Mas a caminhada de Guy Black não é algo tão simples. Ele está mais perto de ser uma pessoa que relembra com o próprio corpo uma cena da Batalha de Gapyeong. Ele já caminhou cerca de 300km no Canadá, também fez na Coreia uma caminhada memorial de tamanho parecido, e agora decidiu caminhar cerca de 355km de Gapyeong até o Cemitério Memorial da ONU em Busan.

Por que fazer tudo isso? Porque a memória da guerra, com o tempo, pode virar só uma linha no livro escolar. Mas algumas pessoas transformam essa memória não em um discurso de cerimônia, e sim em um ritual levado pelos próprios passos. Guy Black é ex-membro da reserva do exército canadense e é conhecido na comunidade de veteranos como alguém que faz o papel de registrador, voluntário e ponte entre pessoas. Por isso, a caminhada dele não parece um hobby pessoal, mas sim uma declaração: 'vou levar essa história até a próxima geração'.

É aí que vem a pergunta. Afinal, o que foi a Batalha de Gapyeong para que, mais de 70 anos depois, um canadense continue fazendo homenagens a pé no seu país e na Coreia? Para entender isso, primeiro precisamos ver como Gapyeong deixou de ser apenas uma batalha e virou uma memória ainda viva hoje.

💡Pontos principais

A caminhada de Guy Black não é simples participação, e sim uma 'homenagem em ação' que continua a memória.

Por isso, o ponto central deste artigo não é só a caminhada de uma pessoa, mas por que a Batalha de Gapyeong ainda é uma memória do presente.

Histórico

A memória da Batalha de Gapyeong não terminou em uma única batalha

Se você olhar em ordem do tempo como a memória da batalha chegou até as caminhadas memoriais dos anos 2020, fica bem fácil entender.

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Etapa 1: em 1950, o Canadá enviou tropas para a Guerra da Coreia

Quando a Guerra da Coreia se desenvolveu como uma guerra das forças da ONU, o Canadá também enviou tropas. A unidade enviada nessa época depois virou a principal protagonista da Batalha de Gapyeong.

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Etapa 2: em abril de 1951, conseguiram segurar a situação em Gapyeong

No momento em que a linha de frente balançava por causa da ofensiva de primavera do exército chinês, a 27ª Brigada da Comunidade Britânica defendeu o vale de Gapyeong e as colinas ao redor. Essa batalha é lembrada como um ponto de virada que ganhou tempo para a defesa na direção de Seul.

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Etapa 3: depois da guerra, 'Gapyeong' virou honra da unidade

Gapyeong não virou apenas o nome de um lugar de batalha, mas uma battle honour, ou seja, uma honra oficial de batalha. Em palavras simples, é como uma etiqueta que mostra 'por qual prova essa unidade passou'.

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Etapa 4: dos anos 1980 aos anos 2020, surgiram monumentos e parques

Não só na própria região de Gapyeong na Coreia, mas também no território continental do Canadá, surgiram espaços de memória como Kap'yong Memorial, Kapyong Park e Gapyeong Battle Monument. A memória deixou de ficar só em documentos e virou um lugar real.

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Etapa 5: agora os descendentes e civis estão caminhando por essa memória

A partir dos anos 2020, apareceram caminhos de homenagem e peregrinações a pé. Numa época em que a geração dos veteranos de guerra está diminuindo, a forma de continuar essa memória se ampliou para 'passar de novo pelo local com o próprio corpo'.

Campo de batalha

Por que Gapyeong era tão importante?

O especial da Batalha de Gapyeong não é só que 'foi intensa'. O importante era que lugar essa luta estava protegendo. Gapyeong ficava em um vale e num eixo de estrada cerca de 60km a nordeste de Seul. Como era uma região muito montanhosa, era difícil mover grandes tropas por qualquer caminho, então no fim elas tinham que descer pelo vale e pelas estradas. Ou seja, Gapyeong não era como um grande portão principal, mas sim como uma entrada lateral estreita entre as montanhas.

Na ofensiva de primavera do exército chinês em abril de 1951, parte da linha de frente do exército sul-coreano desabou, e esse caminho de passagem ficou de repente em perigo. Se o eixo de Gapyeong tivesse sido rompido com mais facilidade, é bem possível que as forças da ONU tivessem muito mais dificuldade para recuar e se reorganizar. Por isso, a Batalha de Gapyeong não é vista como a batalha decisiva que acabou com a guerra de uma vez, mas como uma batalha de bloqueio que cortou o avanço que poderia voltar a ameaçar a direção de Seul.

É por isso que esse ponto ainda hoje é repetido tantas vezes no Canadá. Não é só orgulho de dizer 'nós conseguimos uma grande vitória', mas uma narrativa de que seguraram uma linha de frente que estava desmoronando e ganharam tempo. Em vez de ser uma vitória brilhante de grande ofensiva, como em um filme, o que ficou por mais tempo foi o fato de ter sido uma batalha defensiva que evitou uma situação ainda mais perigosa.

ℹ️Falando de forma simples

Gapyeong não era uma 'grande avenida' para Seul, mas uma passagem importante para avançar ao sul em terreno montanhoso.

Por isso, a Batalha de Gapyeong é lembrada mais como uma batalha que segurou uma linha de frente que podia ruir do que como uma batalha que recuperou muito território.

Forças

Se olhar só os números, as forças da Commonwealth estavam em desvantagem

Os números detalhados mudam um pouco conforme a fonte, mas a imagem geral é a mesma: 'as forças da Commonwealth barraram o avanço com muito menos soldados'.

Lado da Commonwealth/ONU2,800pessoas
118ª Divisão do exército chinês10,600pessoas
Vitória

Mesmo assim, eles não foram empurrados para trás porque o papel de cada país era diferente

País/UnidadePapel no localPor que foi importante
Austrália 3RARRecebeu o ataque inicial na área de Hill 504Impediu que o exército chinês passasse de uma vez pela entrada do vale
Canadá 2 PPCLIPonto central da defesa de Hill 677Resistiu ao ataque principal na parte final e virou o centro da narrativa da Batalha de Gapyeong
Nova Zelândia 16º Regimento de Artilharia de CampanhaApoio contínuo de fogo de artilhariaCompensou a fraqueza de ter poucas tropas com poder de fogo à distância
Unidades britânicasComando, defesa da retaguarda, metralhadoras e missões de apoioDeram suporte para que a infantaria da linha de frente pudesse se concentrar na defesa das colinas
Batalha

Durante três dias, a batalha aconteceu assim

Se olhar a Batalha de Gapyeong em ordem do tempo, fica mais claro por que essa batalha foi mais 'o sucesso de uma batalha urgente de bloqueio' do que 'uma vitória milagrosa'.

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Etapa 1: eles preencheram às pressas a linha de frente que tinha ruído

Por volta de 23 de abril de 1951, a 6ª Divisão do exército sul-coreano recuou, e surgiu uma brecha na linha de frente. A 27ª Brigada da Commonwealth não tinha se preparado desde o começo para uma grande batalha decisiva nesse lugar; ela foi posicionada às pressas nas colinas e no eixo de estrada da região de Gapyeong.

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Etapa 2: o primeiro impacto do exército chinês foi recebido pelo exército australiano

No começo, o centro do ataque foi o lado do 3RAR da Austrália. Os ataques noturnos e as infiltrações continuaram, mas o exército australiano segurou a linha do lado leste, então a entrada do vale não caiu de uma vez.

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Etapa 3: o peso da batalha passou para o lado do exército canadense

Depois disso, o centro da pressão se moveu para a Hill 677, defendida pelo 2 PPCLI do Canadá. O exército chinês tentou ondas de ataque à noite, mas o exército canadense não entregou a colina e manteve a continuidade da linha de frente.

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Etapa 4: a diferença de tropas foi compensada pelo terreno e pela artilharia

No vale estreito, era difícil para o exército chinês abrir muitas tropas ao mesmo tempo. Já as forças da Commonwealth juntaram defesa nas colinas com apoio de artilharia e conseguiram cortar os ataques várias vezes, mesmo com menos soldados. Falando de modo simples, era mais vantajoso para quem defendia a entrada de um beco estreito.

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Etapa 5: impedir a ruptura foi o verdadeiro resultado da batalha

Por volta de 25 de abril, a ofensiva do exército chinês perdeu força, e as forças da Commonwealth alcançaram o objetivo de defender a linha de Gapyeong. Não foi uma vitória de ampliar muito o campo de batalha, mas o ponto principal foi atrasar o avanço que podia seguir na direção de Seul e ganhar tempo para as forças da ONU se reorganizarem.

Memória

Por que 4 países da Commonwealth ainda lembram juntos

PaísMotivo/contexto da participaçãoPosição na Batalha de GapyeongForma de homenagem hoje
CanadáSegurança coletiva da ONU e responsabilidade da aliançaO 2 PPCLI foi o centro da defesa da Hill 677Materiais nacionais de veteranos, Kapyong Park, pedra memorial, materiais educativos
AustráliaResposta rápida ao pedido da ONUO 3RAR recebeu o impacto inicialKapyong Day, ligado à tradição de homenagem do ANZAC
Nova ZelândiaResponsabilidade como país fundador da ONU e solidariedade no período da Guerra FriaApoio de fogo do 16º Regimento de Artilharia de CampanhaSeminários, eventos de veteranos, memória dentro da tradição da artilharia
Reino UnidoFormação da brigada da Commonwealth e operação conjuntaComando, apoio e defesa da retaguardaCerimônias locais e cultura de homenagem da Commonwealth
Canadá

Por que no Canadá 'Gapyeong' ficou como nome de parque e pedra memorial

Meio de memóriaO que existeSignificado
Homenagem nacional aos veteranosO ministério dos veteranos descreve oficialmente cerca de 26 mil participantes da Guerra da Coreia e 516 mortos em combateIsso quer dizer que a Guerra da Coreia ainda está registrada na memória nacional do Canadá
Memória em espaçoKapyong Park, Kap'yong Memorial, Gapyeong Battle MonumentGapyeong deixou de ser só um nome de lugar estrangeiro e virou nome de local de homenagem dentro do Canadá
Memória pelo nomeHomenagem aos 516 mortos em combate no Wall of RemembranceNão é uma história abstrata de patriotismo, mas uma forma de lembrar cada pessoa
Memória em cerimôniaEventos anuais como Turn to BusanA homenagem dentro do Canadá está ligada ao Cemitério Memorial da ONU em Busan, na Coreia
Intercâmbio Coreia-CanadáPedra memorial de granito doada pelo condado de Gapyeong e criação de novo memorialA memória da guerra não para só na lembrança do passado e continua como amizade diplomática
Símbolo

Por isso, 'Gapyeong' é um nome de lugar da Coreia, mas também virou identidade dos exércitos do Canadá e da Austrália

Para os coreanos, Gapyeong pode lembrar primeiro imagens como destino de viagem, pinhão ou frango apimentado refogado. Mas, para alguns soldados do Canadá e da Austrália, Gapyeong, mais exatamente Kapyong, é o nome que explica 'que tipo de unidade somos'. Isso porque essa batalha virou battle honour, ou seja, uma honra de batalha oficialmente reconhecida para a unidade.

Essa ideia pode parecer um pouco estranha, mas, falando de modo simples, é parecido com uma equipe esportiva escolar deixar uma vitória em campeonato nacional como parte da história da escola para sempre. Só que, no exército, isso é muito mais institucionalizado. Isso aparece repetidamente na bandeira da unidade, na história do regimento, nos dias comemorativos e no treinamento dos novos soldados. Por isso, 'Gapyeong' não ficou só como um nome no mapa, mas como um símbolo de experiência de cumprir a missão até o fim mesmo em desvantagem esmagadora.

Vendo assim, dá para entender por que Guy Black caminha pela Coreia de novo. Ele não está homenageando uma batalha antiga de um país estranho, mas visitando um lugar que formou a identidade da sua própria comunidade. E, do ponto de vista da Coreia, isso é ainda mais interessante. Quer dizer que a memória da Guerra da Coreia não é preservada só dentro da Coreia, mas, para alguns estrangeiros, ainda vive hoje como dever e orgulho no tempo presente.

💡Por fim, o que vale lembrar

A Batalha de Gapyeong não é só uma “vitória antiga”, mas um nome que até hoje continua como tradição e ensino dentro dos exércitos do Canadá e da Austrália.

Por isso, a travessia a pé de um canadense é mais do que uma cerimônia de homenagem; é algo mais próximo de uma ação para reconectar a história da Coreia com a do seu próprio país.

Vamos mostrar como viver na Coreia

Por favor, dê muito carinho ao gltr life

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